Uro-oncologia

Autoexame dos testículos: como fazer e quais alterações observar

O câncer de testículo é mais comum em homens jovens. Saiba como conhecer o próprio corpo com o autoexame, quais sinais merecem atenção e como é feito o diagnóstico.

Laço azul sobre fundo azul-escuro, símbolo de conscientização sobre a saúde do homem (imagem ilustrativa)
Imagem ilustrativa

Em resumo

  • O câncer de testículo é pouco frequente, mas é mais comum entre 15 e 50 anos, segundo o INCA.
  • O sinal mais comum é um nódulo endurecido, geralmente indolor; mudanças de tamanho, forma ou consistência também merecem avaliação.
  • O INCA estimula o autoexame como forma de o homem conhecer o próprio corpo, mesmo sem um protocolo fixo.
  • O diagnóstico é feito com exame físico, ultrassom da bolsa escrotal e marcadores no sangue. Quando detectado precocemente, tem altos índices de cura.

Quando se fala em câncer no homem, a próstata costuma ocupar toda a atenção. Mas existe um tumor que afeta principalmente homens jovens, muitas vezes no auge da vida profissional e familiar: o câncer de testículo. Ele é pouco frequente, e a maioria dos caroços na bolsa escrotal não é câncer. Mesmo assim, conhecer o próprio corpo e saber quando procurar o urologista faz diferença.

Quem é mais afetado

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de testículo é raro, mas a maior incidência ocorre em homens entre 15 e 50 anos. Os fatores de risco mais conhecidos são:

  • criptorquidia, quando um ou os dois testículos não descem para a bolsa escrotal na infância — daí a importância do exame do pediatra nos primeiros anos de vida;
  • história familiar desse tumor;
  • câncer prévio no outro testículo;
  • infertilidade;
  • algumas exposições ocupacionais, como a agrotóxicos, apontadas pelo INCA.

Ter um fator de risco não significa que a doença vai aparecer; significa que vale redobrar a atenção a qualquer mudança.

Sinais que merecem atenção

O sinal mais comum, segundo o INCA, é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, às vezes do tamanho de uma ervilha. Outras alterações também devem ser observadas:

  • aumento ou diminuição do tamanho de um testículo;
  • endurecimento ou mudança de forma ou textura;
  • sensação de peso na bolsa escrotal;
  • dor imprecisa na parte baixa do abdome ou na virilha;
  • aumento ou sensibilidade nas mamas, em alguns tipos de tumor.

O fato de o nódulo não doer é justamente o que leva muitos homens a adiar a consulta. Ausência de dor não significa ausência de problema.

Como fazer o autoexame

O INCA considera o autoexame um hábito importante para o diagnóstico precoce e recomenda que ele seja estimulado, com procura por assistência médica em caso de alterações ou dúvidas — ainda que não exista um protocolo determinado de frequência. O objetivo não é fazer um diagnóstico em casa, e sim conhecer como seus testículos são normalmente, para perceber quando algo muda.

Um roteiro simples:

  1. Escolha o momento do banho ou logo depois. O calor relaxa a pele da bolsa escrotal e facilita a palpação.
  2. Examine um testículo de cada vez. Segure-o com as duas mãos, com os polegares por cima e os dedos indicador e médio por baixo.
  3. Role suavemente o testículo entre os dedos. A superfície deve ser lisa e a consistência firme, mas não dura como pedra.
  4. Conheça as estruturas normais. Atrás e acima de cada testículo existe o epidídimo, uma estrutura macia, em forma de cordão, que armazena os espermatozoides. Ele é normal e não deve ser confundido com um nódulo.
  5. Compare os dois lados. É comum um testículo ser um pouco maior ou ficar mais baixo que o outro. O que importa é perceber mudanças em relação ao que é habitual para você.
  6. Observe no espelho se há inchaço ou alteração na pele da bolsa escrotal.

Encontrou algo diferente? Não entre em pânico — muitas alterações são benignas, como cistos do epidídimo, varicocele ou hidrocele. Mas marque uma consulta com o urologista para esclarecer.

Outras causas de caroço ou inchaço na bolsa escrotal

  • Hidrocele: acúmulo de líquido ao redor do testículo.
  • Varicocele: dilatação das veias do cordão espermático, que pode dar a sensação de “saco de vermes” ao toque.
  • Cisto de epidídimo (espermatocele).
  • Epididimite ou orquite: inflamação ou infecção, geralmente com dor, vermelhidão e, às vezes, febre.
  • Hérnia inguinal que desce para a bolsa escrotal.

O INCA observa que, em homens jovens, o câncer de testículo pode ser confundido com inflamações do testículo e do epidídimo. Por isso, se uma alteração tratada como inflamação não desaparecer completamente, a reavaliação é importante.

Atenção: dor súbita é urgência

Dor forte e repentina em um testículo, principalmente em adolescentes e adultos jovens, pode indicar torção testicular — situação em que o testículo gira sobre o próprio eixo e o sangue deixa de chegar a ele. É uma emergência que precisa de avaliação imediata em pronto-atendimento, porque o tempo é decisivo para preservar o testículo.

Como é feito o diagnóstico

Diante de uma alteração suspeita, a avaliação costuma incluir:

  • exame físico cuidadoso pelo urologista;
  • ultrassonografia da bolsa escrotal com Doppler, que diferencia com boa precisão lesões dentro do testículo de alterações ao redor dele;
  • marcadores tumorais no sangue, como alfafetoproteína, beta-hCG e desidrogenase lática (LDH).

Quando há forte suspeita de tumor, o tratamento inicial geralmente é a retirada cirúrgica do testículo afetado (orquiectomia por via inguinal), que também confirma o diagnóstico. Os passos seguintes — acompanhamento, quimioterapia, radioterapia ou outras cirurgias — dependem do tipo de tumor e do estágio, conforme as diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU). O INCA destaca que, apesar de ser um tumor de crescimento rápido, o câncer de testículo tem alto índice de cura, em parte porque responde bem aos tratamentos.

Fertilidade e vida sexual

Uma preocupação frequente é o impacto do tratamento na fertilidade. Na maioria dos casos, o testículo remanescente mantém a produção de hormônios e espermatozoides. Mesmo assim, as diretrizes recomendam discutir o congelamento de sêmen antes do tratamento, porque quimioterapia e radioterapia podem afetar a produção de espermatozoides. Também é possível conversar sobre prótese testicular, por questões estéticas e de autoestima.

Em resumo

O câncer de testículo é incomum, mas atinge principalmente homens jovens, que muitas vezes não costumam ir ao médico. Conhecer o próprio corpo com o autoexame e procurar avaliação diante de qualquer mudança são atitudes simples que favorecem o diagnóstico precoce.

Quando procurar o urologista

  • Você percebeu um caroço, endurecimento ou mudança de tamanho em um testículo.
  • Há sensação de peso na bolsa escrotal ou dor persistente na parte baixa do abdome ou na virilha.
  • Você tem histórico de testículo que não desceu na infância (criptorquidia) ou de câncer de testículo na família.
  • Dor súbita e intensa no testículo: vá ao pronto-atendimento imediatamente, pois pode ser torção testicular.
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Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de testículo – introdução
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de testículo – versão para população
  3. European Association of Urology (EAU). Guidelines on Testicular Cancer

Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.

Dr. Ruston Louback, urologista, em seu consultório
Sobre o autor

Dr. Ruston Louback

Urologista

CRM-MG 58259 | RQE 57530

Urologista (RQE Urologia 57530), com qualificação também em Cirurgia Oncológica (RQE 27853) e Cirurgia Geral (RQE 27852). Atende na Masterclin Urologia, em Manhuaçu-MG. Os artigos deste blog têm caráter educativo e seguem diretrizes de sociedades médicas.

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